Darwin dir-nos-ia que evoluímos exponencialmente mais que as outras espécies numa lógica de sobrevivência e aproveitamento das capacidades intelectuais com que fomos bafejados pelo todo poderoso… mas não deixamos de ser uma das meia dúzia de espécies que habitam este calhau em forma circular imperfeita.
O estrondoso avanço científico do último par de séculos esbateu esta condição animal que nunca deveríamos ter menosprezado. O homem de hoje (permitam-me o H pequeno) não está disposto a sacrifícios, as últimas gerações não abdicam das comodidades paridas pela revolução industrial e esquecem, sem nunca ter lembrado, o penoso caminho percorrido por milhares de milhões de antepassados que nunca tiveram o infortúnio de comandar a vida num clique.
Não sou contra o Cientismo e, aliás, até tenho uma relação desconfortável com tudo aquilo que ultrapassa o alcance dos binóculos e o vidro do tubo de ensaio… mas a natureza humana tem vindo a ser desvirtuada dia após dia.
Há muito pouco tempo os nossos pais andavam descalços e comiam peles de bacalhau, há muito pouco tempo os nosso avós andavam uma boa dúzia de quilómetros para ir buscar pão, há muito pouco tempo os nossos bisavós não tinham sequer o luxo da electricidade, há muito pouco tempo os bisavós dos bisavós dos bisavós dos nossos bisavós caçavam com o que tinham para sobreviver… Hoje e amanhã milhões de pessoas anseiam pela chuva ou um saco de arroz da Cruz Vermelha para comer e sobreviver…
Nós não podemos ir ao supermercado a pé nem sobreviver sem saldo no telemóvel…
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